Não senhores bacharéis, não é um artigo acadêmico jurídico e nem tem a pretensão de sê-lo. Aos leigos, explicarei vagamento o que significa responsabilidade objetiva no mundo dos incisos e parágrafos únicos: trata-se daquele tipo de responsabilidade onde o fator culpa (em sentido amplo, incluindo dolo e culpa em sentido estrito) não está presente. Assim, basta que o prejudicado prove o dano e o nexo causal, o link entre a ação ou omissão e o prejuízo por ele sofrido. Um exemplo é a responsabilidade civil do Estado. Em um caso prático: digamos que você seja atropelado por um carro a serviço da prefeitura. Partindo da premissa da responsabilidade objetiva, aplicada nesse caso, não importa se o motorista foi negligente, imperito, imprudente ou mesmo agiu com dolo (intenção). O dano existiu (você foi atropelado) e o nexo causal também (você foi atropelado pelo carro do Estado que estava andando na rua e isso causou o dano, bem simples e lógico). Tirando algumas hipóteses excludentes, a prefeitura irá responder civilmente pelo ocorrido, podendo depois analisar a responsabilidade subjetiva do seu agente e bla bla bla bla bla.
Mas tudo isso é só academicismo. Vamos ao que interessa: acabei de inventar um novo tipo de teoria, uma quase tese! É a responsabilidade eleitoral objetiva. Usando os elementos básicos da responsabilidade objetiva, escolherei em quem não votar nessa eleição (por isso o subtítulo). Exemplo clássico (e já ocorrido): tomar fechada de carro que carrega no vidro traseiro um político sorrindo, não voto. Ele é responsável por quem o carrega nas costas! (responsabilidade eleitoral objetiva com perda imediata de voto)
Outra hipótese dessa responsabilidade recai sobre aqueles que pagam 20 merréis e um pacote de biscoito águal e sal prus póbri coitadu ficar balançando a bandeira com a cara dele, geralmente sob um slogan de justiça social. Igualmente para tomar conta de plaquinha, já que elas ficaram proibidas pela nova lei desde as últimas eleições. Aliás, burlou a lei ou me incomodou, me assediou, me abordou, não voto.
Usou carro de serviço (como o Conte fez) para fins eleitorais, não voto.
Panfletou, falou em corneta, em carro de som, também não voto.
ASSOVIOU (atenção Xórxi!!!), não voto!
Aqui em Niterói, sobrou até pro Felipe Peixoto. Queridinho da cidade dormitório do Rio de Janeiro, posou ao lado do Zveiter com um sorrisão na cara: não voto!
Cuidado com os interesses! Correndo pela região, mais precisamente por uma das praias mais famosas daqui, esbarrei com um outdoor gigante - novamente do Zveiter - na casa de um dos maiores milionários daquela praia e, porque não, de toda cidade. Obviamente que está ali por conta própria, já que ele não precisaria daquele dinheiro e Niterói possui centenas de lugares mais estratégicos para se comprar um espaço publicitário, mesmo com as restrições legais. Me pergunto: no caso de ganhar, quais interesses por ele serão tutelados e resguardados? Os meus eu tenho certeza de que não são.
Na volta da mesma corrida, passei em frente a uma Igreja evangélica, cujos carrões estacionados em frente (isso mesmo, carrões) ostentavam todos o mesmo político no vidro traseiro. Acho que o sobrenome era seixas ou algo parecido, preciso me recordar melhor. Enfim, realizei a mesma pergunta: quais interesses será que ele defende?
Posso acabar incorrendo em preconceito? Talvez, mas pelo menos eu tenho um critério. Aquele que menos aparecer e eu mais souber que faz (por indicação, pesquisa, etc) terá o meu voto, consciente pelo menos na tentativa.
Importante lembrar a pobreza do nosso legislativo, talvez o poder mais corrupto e atrasado de todos os três (e olha que o judiciário e o executivo se esforçam!) O voto para deputado é tão ou mais importante do que o de presidente. Que haja alguma voz do povo de verdade naquele mar de cimento e merda que é Brasília.
Até agora estou com um candidato a deputado que trabalha junto ao INES (instituto nacional de surdos), sobre cujo trabalho social tive ótimas referências. E, apesar dele ser surdo e mudo, me arrisco a cometer o chavão: deve ter muito mais a falar do que os que lá estão.
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